As chamadas “canetas para emagrecer” incluem medicamentos diferentes. Alguns atuam no receptor de GLP-1; outros combinam ações em mais de um receptor. Eles não são suplementos e não devem ser usados por indicação de amigos, influenciadores ou profissionais que não estejam habilitados a prescrevê-los.
No Brasil, a venda desses medicamentos exige retenção da receita. A Anvisa reforça que o uso deve seguir as indicações aprovadas e ter acompanhamento profissional. A nutricionista não prescreve nem altera o medicamento. Seu papel é cuidar da parte alimentar e trabalhar em conjunto com o médico responsável.
O que a caneta muda no apetite e na alimentação?
Esses medicamentos podem aumentar a sensação de saciedade, reduzir a fome e retardar o esvaziamento do estômago. Na prática, algumas pessoas passam a comer porções menores, demoram mais para sentir fome ou percebem que certos alimentos ficaram mais difíceis de tolerar.
Isso pode ajudar no tratamento quando há indicação clínica. Mas há uma diferença importante entre comer menos e estar bem nutrida. Se o volume de comida cai bastante e as escolhas não são ajustadas, também pode cair a ingestão de proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos.
A primeira pergunta, portanto, não deveria ser “qual é o cardápio da caneta?”. Deveria ser: “com menos fome e talvez menos tolerância, como vou atender às necessidades do meu corpo?”.
Por que comer menos não significa automaticamente comer melhor?
O apetite menor pode facilitar a redução da quantidade. Ele não organiza a compra, não melhora a qualidade da refeição e não ensina o que fazer nos dias corridos. Também não identifica sozinho uma ingestão insuficiente ou um sintoma que precisa de avaliação.
Em 2025, quatro organizações internacionais de nutrição, medicina do estilo de vida e obesidade publicaram uma orientação conjunta sobre prioridades nutricionais durante a terapia com GLP-1. O documento destaca avaliação nutricional, manejo de sintomas gastrointestinais, qualidade da alimentação, prevenção de deficiências e preservação de massa muscular.
A Organização Mundial da Saúde também coloca esses medicamentos dentro de um cuidado abrangente, acompanhado de alimentação saudável, atividade física e suporte de profissionais de saúde.
Quais cuidados alimentares merecem atenção durante o uso?
1. Conhecer o ponto de partida
Antes de pensar em um cardápio, é preciso entender como a pessoa já come, quanto consegue comer, quais sintomas apresenta e o que cabe na rotina. Histórico de dietas, relação com a comida, funcionamento intestinal, exames disponíveis, atividade física e outras condições de saúde mudam a conduta.
Essa avaliação também ajuda a perceber riscos que a balança não mostra. Uma perda de peso pode envolver gordura, água e massa livre de gordura. Por isso, o acompanhamento não deve olhar apenas para o menor número possível.
2. Fazer o pouco espaço da refeição trabalhar a favor
Quando a porção diminui, cada escolha ganha mais importância. Alimentos in natura ou minimamente processados ajudam a formar uma base com maior variedade de nutrientes. Isso pode incluir arroz e feijão, ovos, carnes, peixes, leite e derivados, frutas, verduras, legumes, raízes e cereais, respeitando preferências e tolerância.
Não existe uma lista universal de alimentos obrigatórios. Uma pessoa com náusea pode precisar de uma organização diferente de outra com constipação. Copiar um cardápio ignora justamente a parte do tratamento que deveria ser individual.
3. Preservar massa muscular
Durante uma redução importante de peso, o corpo pode perder não apenas gordura, mas também massa magra. O risco merece ainda mais atenção em pessoas sedentárias, mais velhas, no climatério ou na menopausa e em quem já apresenta baixa força muscular.
Fontes de proteína distribuídas nas refeições e treino de força orientado por profissional habilitado podem fazer parte da estratégia. A quantidade de proteína não deve ser copiada da internet: peso, ingestão total, saúde renal, atividade física e outras condições mudam a necessidade.
4. Cuidar da hidratação e dos sintomas digestivos
Náusea, vômito, diarreia e constipação estão entre os sintomas gastrointestinais relatados com esses medicamentos. Eles não devem ser normalizados quando são intensos ou persistentes. Além do desconforto, vômitos e diarreia podem dificultar a hidratação.
O ajuste alimentar pode envolver tamanho e frequência das refeições, ritmo ao comer, teor de gordura, fibras e distribuição de líquidos. A melhor mudança depende do sintoma. Aumentar fibras sem avaliar a ingestão de água e a tolerância, por exemplo, não resolve todos os casos de intestino preso.
5. Construir uma rotina que não dependa apenas da falta de fome
O medicamento pode mudar o apetite, mas decisões como comprar, cozinhar, combinar alimentos e planejar dias corridos continuam existindo. O acompanhamento nutricional transforma essas decisões em uma rotina possível.
Isso importa durante o tratamento e também em qualquer mudança futura definida pelo médico. O objetivo não é garantir que a fome nunca volte. É evitar que toda a estratégia dependa de um único recurso.
Como montar as refeições durante o tratamento?
Não existe um “prato da caneta”. Como ponto de partida, uma refeição pode reunir uma fonte de proteína, vegetais ou fruta e uma fonte de carboidrato ou leguminosa, com a quantidade ajustada à fome, à tolerância e à necessidade individual.
Na rotina brasileira, isso pode ser tão simples quanto arroz, feijão, frango e salada; omelete com legumes e uma fruta; ou iogurte natural com fruta e aveia. São exemplos de combinação, não uma prescrição universal.
Quando o volume tolerado é pequeno, pode ser necessário reorganizar horários e prioridades. Quando há enjoo, comer muito rápido ou concentrar uma grande quantidade de comida de uma vez pode piorar o desconforto em algumas pessoas. Quando há constipação, água, fibras, movimento e o conjunto da rotina precisam ser avaliados.
O Guia Alimentar para a População Brasileira continua sendo uma boa referência: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação e desenvolver habilidades para escolhas que caibam na vida real.
Quando um sintoma precisa de avaliação médica?
Nem todo desconforto é resolvido mudando o prato. Vômitos repetidos, dificuldade para manter líquidos, sinais de desidratação ou dor abdominal intensa e persistente precisam de contato com o médico responsável. Em fevereiro de 2026, a Anvisa orientou procurar atendimento imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de náuseas e vômitos.
A nutricionista pode ajudar a organizar a alimentação e comunicar alterações importantes à equipe. Diagnosticar a causa, indicar o medicamento, trocar a dose ou interromper o tratamento é responsabilidade médica.
Qual é o papel da nutricionista para quem usa a caneta?
O acompanhamento nutricional transforma o tratamento em perguntas concretas: você está conseguindo comer? Há proteína suficiente nas refeições? Como estão hidratação, intestino, energia e treino? A alimentação cabe no trabalho e no fim de semana? Algum sintoma precisa ser informado ao médico?
A partir das respostas, o plano pode ser ajustado sem proibições genéricas e sem prometer resultado. A avaliação de composição corporal, quando indicada e interpretada junto do contexto, também ajuda a olhar além do peso.
Quem mora em Governador Valadares pode fazer o acompanhamento presencial no Instituto Lumina. Para outras cidades, a Dra. Danielle também realiza consulta nutricional online.
Está usando a caneta e quer organizar sua alimentação?
Conheça o acompanhamento nutricional para emagrecimento com a Dra. Danielle Bretas. O medicamento continua sendo acompanhado pelo médico; a consulta nutricional cuida da alimentação, da rotina e da composição corporal.

